O óbvio ululante
por Gabriel Novis Neves
Essa expressão foi criada por Nelson Rodrigues no início dos anos cinquenta. Significa coisa clara e patente.
Refere-se a tudo que é “lugar comum, que é banal, não original, enfim a tudo aquilo que é visto à primeira vista e que não exige criatividade, renovação.”
Custei muito a entender o Nelson Rodrigues. Achava que escrevia ficção, e não, a vida como ela é.
Estudante no Rio, eu lia tudo do Anjo Pornográfico e assistia, quando a mesada permitia, às suas peças de teatro.
Não tenho receio algum de chamá-lo de gênio, ele que foi um dos autores mais polêmicos do Brasil. Fez muitas coisas boas, e outras nem tanto assim, mas o saldo da sua...
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“Só protestar simbolicamente não é suficiente”, afirma Tariq Ali
O escritor analisa as movimentações políticas que sacodem a conjuntura internacional
Heloisa Gimenez, Marcio Rabat e Vinicius Mansur
BRASIL DE FATO, de Brasília (DF)
Com uma fala tranquila, tão simples quanto ampla, o paquistanês Tariq Ali domina como poucos os processos políticos, em escala planetária, que colocam a ordem contra a parede. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, seu olhar analítico percorreu a Primavera Árabe, dividiu as mobilizações nos países desenvolvidos – EUA e Europa – entre simbólicas e massivas, valorou a América do Sul como o processo mais radical até agora – dentr...
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O Papa e as ameaças à humanidade
Por Jean Wyllys, deputado federal PSOL
O papa Bento XVI disse que o casamento homossexual “ameaça o futuro da humanidade”.
Eu pensava que o que o ameaçava eram as guerras (muitas delas étnicas ou religiosas), a fome, a miséria econômica, a desigualdade e as injustiças sociais, a violência, o tráfico de drogas e de armas, a corrupção, o crime organizado, as ditaduras de todo tipo, a supressão das liberdades em diferentes países, os genocídios, a poluição ambiental, a destruição das florestas, as epidemias… Porém o papa, mesmo ciente de todos esses males e consciente de que sua instituição – a Igreja Católica Apostólica Romana – contribuiu com muitos deles ao longo da história ocidental, ...
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Explorando os limites de uma esquerda reformada
Por Tarso Genro (*)
Zygmunt Bauman, na primeira carta do seu livro recentemente publicado no Brasil, "44 cartas do mundo líquido moderno" (Zahar, 2011, 226 pgs.), faz duas perguntas e apresenta uma conclusão provisória: "Como filtrar as notícias que importam no meio de tanto lixo inútil e irrelevante? Como captar as mensagens significativas entre o alarido sem nexo? Na balbúrdia de opiniões e sugestões contraditórias, parece que nos falta uma máquina de debulhar para separar o joio do trigo na montanha de mentiras, ilusões, refugo e lixo."
A pergunta de Bauman tem tudo a ver com a impotência das esquerdas, principalmente nos países capitalistas mais desenvolvidos, para dar respostas a uma crise que vinha sendo prevista por alguns economistas, há mais de dez anos. V&eci... (continuar lendo)
As rebeliões do efêmero
Olgária Chain Feres Matos
O ESTADO DE S PAULO
O movimento pela descriminalização do uso da maconha, a luta contra a corrupção, a dos estudantes na USP pela retirada da Polícia Militar do câmpus universitário, dos homossexuais contra a homofobia no Brasil, correspondem à tendência neoliberal global de ocupação do espaço público - mas em um país que não responde pela qualidade da formação educacional que garantiria o fortalecimento da “vida intelectual” e do debate político. Que se pense, em particular, no movimento pela liberação da maconha, que não desenvolve reflexões sobre o sentido da disseminação de narcotizantes na sociedade de massa e do consumo, a questão da cultura do excesso, ...
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