È quase meia-noite e este velho jornalista e advogado precisa dormir. Mas não posso deixar de dizer duas palavras sobre esta absurda unanimidade do Colégio de Presidentes da OAB contra as
DIRETAS JÁ PARA DESEMBARGADOR.
Enquanto na OAB de outros estados da federação as Diretas já viraram rotina, aqui o medo da democracia parece fazer com algumas pessoas se revelem tão amedrontadas, tao assustadas diante da possibilidade de se fazerem cada vez mais livres. Sim, porque este história de dizer que o Conselho Seccional, com seus poucos membros, é o forum mais legitimo para a definição dos nomes que disputarão a indicação pelo quinto constitucional para a vaga de desembargador do TRT é querer desfazer de toda uma categoria e apequeninar todos os brasileiros e brasileiras que, aqui em Mato Grosso, atuam como advogados e advogadas.
O Movimento pela OAB Democratica quer ver a advocacia mato-grossense tomando o seu destino em suas mãos e demonstrando, cada vez mais, a sua maturidade e o seu senso de responsabilidade. O nosso Movimento confia no povo da advocacia e entende que nosso povo da advocacia sabe votar, sabe defender seus interesses, sabe da importancia de fazer escolhas por critérios de competência, de compromisso e de honradez - e, além de tudo, o Movimento pela OAB Democrática acredita que nosso povo da advocacia não é um povo corrupto nem venal.
Então, se o Conselho Seccional da OAB tiver compromisso democrático para fazer valer as Diretas Já entre os advogados e advogadas de Mato Grosso, o nosso povo da advocacia fará da escolha do próximo desembargador do TRT uma grande e alegre festa democrática.
Os candidatos para se inscreverem continuarão tendo que atender a critérios e exigências que serão fixadas pela OAB de Mato Grosso - logo, oportunistas, vendilhões, safados, gente do crime organizado, enfim, os filhos da puta de todos os generos, não terão vez neste processo porque a OAB de Mato Grosso saberá ser rigorosa nos critérios de inscrição dos candidatos. Mas se a direção falhar e alguém com ficha suja conseguir se inscrever, ainda sim restará o direito que será dado a todos os advogados e advogadas de impugnar sua inscrição e botar o dedo na cara deste canalha ou desta canalha que tenta desmerecer o nosso esforço democratizante. Candidato para se credenciar e ser votado vai ter que passar por uma peneira muito seletiva. A OAB tem tudo para ser mais seletiva do que nossa vacilante Justiça Eleitoral que até agora não conseguir fazer valer o critério da ficha suja.
Contra a ameaça do poderio economico poderá se estabelecer, por exemplo, que, nesta primeira experiência, não poderão ser feitos cartazes, showmicios, carretas, e tal e tal, e que toda a propaganda eleitoral dos inscritos se concentrará na página da OAB na internet, no periodo de tanto a tanto. Os 6 (seis) mais votados serão entao referendados pelo Conselho Seccional que encaminhará lista sextupla para análise do Tribunal em pauta.
Vejam que falo de algumas possibilidades que não vi discutidas na reunião do Colégio de Presidentes da OAB que, na sua tola unanimidade, parece ser formado por advogados que não respiram democracia, não comem democracia, não bebem democracia e quando se vem diante de um desafio como esse, de democratizar cada vez mais o processo do quinto constitucional, se embaraçam com seus medos e parecem perder a capacidade de pensar para além dos atuais limites que nos constrangem.
Listei aqui algumas idéias sem nenhuma intenção de posar de dono da verdade - apenas para demonstrar que sonhar com mais democracia na OAB é possivel e necessário. Basta ter o mínimo de despreendimento. Imagino que um debate aberto e franco no Conselho, nesta sexta-feira, possa nos trazer outras sugestões e outras propostas que façam avançar o movimento da advocacia em Mato Grosso. A OAB, através dos anos, tem sido uma referência em matéria de liberdades públicas em nosso país. Me parece constrangedor que o Colégio de Presidentes da OAB pretenda empurrar para trás um processo que pode ser tão bonito, tão enriquecedor, tão mobilizador, tão renovador.
Mas essa é só a minha opinião, a opinião do advogado e jornalista Enock Cavalcanti. Vamos ver o que a OAB define amanhã, sexta-feira, dia 19 de dezembro de 2009. Espero que seja uma data histórica, no melhor dos sentidos. Agora, deixem-me dormir.
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