Balançando o balanço da OAB
Eduardo Mahon
Recebi, por e-mail, do servidor oficial da Ordem dos Advogados, o “balanço” do Faiad. Sem citar nomes, ao contrário de contendores mais honestos, o presidente alfinetou a nós do Movimento da OAB Democrática, afirmando-nos usurpadores das bandeiras da Ordem. É uma inverdade. E eu diria que é um triste engodo. Os argumentos dessa gestão não sobrevivem a uma análise de inteligência média. Ora, se as eleições diretas para a composição do quinto constitucional nos tribunais são bandeiras da própria classe, por qual mistério não foi aprovada a proposta no Conselho Estadual?!
Há duas possibilidades: ou é, realmente, uma bandeira dos advogados e a atual gestão, incluindo conselheiros, não representa as aspirações da classe profissional, ou não é verdade que a bandeira da eleição direta seja, de fato, um ideal coletivo. Portanto, por qualquer prisma, recuso-me a dar qualquer crédito à afirmação, veiculada convenientemente de forma oficial.
Aliás, no início, acreditei louvável que o uso do servidor oficial da Ordem dos Advogados, divulgando a agenda semanal. Até que vieram as propagandas políticas deste ou daquele advogado, candidato a vereador. A OAB nem sequer nominou todos os advogados-candidatos em igualdade de condições, somente um e outro que pretendia promover-se, por ser profissional da área. É triste. Balançando o balanço do Faiad, o posicionamento da Ordem dos Advogados foi patético e apequenou a instituição.
Em outras épocas, de mais lealdade, quando a opinião pessoal conflitava, o polemicista usava-se do próprio veículo de comunicação para fazer o enfrentamento. Hoje em dia, os gestores com um enorme medo de polêmica, socorrem-se das formas oficiais de comunicação e suas assessorias para atingir um público certo, evitando o embate direto. Além de vergonhosa fuga, pode ser que as informações plantadas nesses informativos oficialescos não sejam verdadeiras, ou não raro, sejam mentiras lamentáveis.
Tenho as seguintes convicções (vou enumerar, para facilitar a compreensão da diretoria da OAB que remeteu o e-mail do “balanço” de 2008): eleições diretas para o quinto constitucional; formação proporcional do conselho estadual; inclusão do jovem advogado na composição da diretoria e do conselho. E digo: será possível fazer política, sem ser político filiado a um partido? Será possível fazer o contraponto veemente, sem ser candidato a nada? Será possível apontar as mazelas, sem querer o poder? Na mentalidade da atual diretoria, parece-me que não. Reprisando: é triste.
Disse Faiad: “infelizmente – sou forçado a dizer – que por trás de tamanha voracidade de alguns estejam projetos futuros, eminentemente eleitoreiros, de pessoas que se acham maiores que a Ordem e querem se apoderar de bandeiras que, na verdade, pertencem a classe, a história de luta de uma entidade”. Agora, a inevitável pergunta: qual a bandeira apontada é da OAB de Mato Grosso? Serão as eleições diretas?! Qual das demais enumeradas são as usurpadas, a não ser a proposta que assinei por duas vezes e que foi à pauta como se fosse da própria administração, para ser solenemente recusada. Nem sequer um plebiscito foi convocado, ainda que (aparentemente) conflitassem Diretoria e Conselho.
Eu mesmo não vou pleitear nada (deixo tranqüilos os candidatos reais), mas Faiad quer medir os outros por sua própria régua: como queria se habilitar para vice-prefeito de Cuiabá, sonhando assumir a cidade em 2010, evidente que raciocina o ideário da “oposição” como forma de acesso ao poder na Ordem. Não é o caso. Quem é político profissional não sou eu. Quem foi parlamentar e sonhou com o Palácio Alencastro não fui eu.
No meu “balanço” particular, a OAB saiu ferida. Desnudada. Desmascarada. A sociedade (não apenas os advogados) agora sabe como funcionam as coisas e, cá entre nós, ninguém engole mais jogo de cena. Houve perplexidade. Houve desgaste. Haverá mais. Eleitoreiro é o sujeito que pretende um cargo público, filiado à política partidária, arriscando sair da direção da OAB em pleno mandato, a fim de abraçar um projeto pessoal. O “balanço do Faiad” acaba com um alerta: as eleições para sua própria sucessão, em 2009. Bem a propósito, aliás. Afinal, quem gosta de um partido, de uma eleição, de uma candidatura, do poder, não somos nós do Movimento OAB Democrática.
Eduardo Mahon é advogado.
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