Em termos jurídicos, a melhor forma de explicar esta situação seria, imagino eu, cumplicidade.
Cumplicidade dos jornais amigos e dos empresários da comunicação e dos jornalistas amestrados com o parlamentar mais processado de Mato Grosso, que agora está sendo condenado por surrupiar milhões dos cofres da Assembléia. Na soma dos processos, a quantia chega ao montante extraordinário de mais de 120 milhões de reais.
O afastamento de Riva da presidencia da Assembléia, pedido pelo MPE e confirmado pelo corajoso juiz Luiz Bertolucci tem, evidentemente, caráter preventivo. Imagina-se que, assim, Riva fica obrigado a entregar as chaves do cofre.
Além do silêncio dos jornais e das principais redes de televisão, tem-se, também, é claro, o silêncio de caititus da Assembléia Legislativa como os deputados Percival Muniz, Alexandre César, Otaviano Piveta, Ademir Bruneto, et caterva. Qual será o parlamentar federal que falará da questão? E do Governo do Estado, das prefeituras, das vereanças, não virá nada.
Eis aí uma excelente pauta e um excelente tema para a reflexão: se está tão caracterização a ação deletéria de Riva, se ela acaba de ser condenado pela Justiça Estadual, se o juiz, diante do que percebeu nesta figura, fez questão inclusive de determinar a perda de seus direitos políticos por cinco anos - diante de todos estes fatos, por que é que se tantos e tantos que deveriam falar, se calam?!
O povo, submetido por longo e longos periodos ao poder de Riva, também reage com lentidão.
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