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FAISSAL CALIL: Depois do CNJ, que venham o CNL e o CNE

25/02/2010 - 21:18:00

Depois do CNJ, que venham o CNL e o CNE
Por Faissal Calil

 

 

Na manhã desta terça-feira, dia 23 de fevereiro de 2010, o Brasil assistiu a um fato inédito, no mínimo, inusitado, a aposentadoria compulsória de dez magistrados do Estado de Mato Grosso. Você continua a indagar-se: “quando iria presenciar um fato de tal monta?”

 Sim, aconteceu, e os comentários foram inevitáveis. Percebi que, para os mais leigos, o fato de se dar aposentadoria para os já comentados magistrados soou como um prêmio. Para os servidores da Justiça, a dita aposentadoria veio como uma vitória, a maioria comemorou e sentiu uma esperança de dias melhores, em virtude de que eles também têm atrasados para receber do Tribunal e continuam aguardando (na fila).

 Na minha modesta opinião, deveria ter um “GRANDE CONSELHO ou CONSELHÃO”, não só da Justiça - CNJ, mas um conselho que abranja também o Poder Executivo e Legislativo. Um conselho imparcial e externo, diferente do que ocorre com algumas instituições de “fiscalização”, como o TCE, onde os conselheiros são escolhidos pela própria Assembléia Legislativa.

 O ideal que houvesse uma emenda constitucional que alargasse a competência do CNJ para todos os demais Poderes e que tal instituição passasse a se chamar CNP – Conselho Nacional Público.

 
Enquanto administrador, o agente público deve ser probo nas duas decisões, atuar pautado no bem comum e não em interesses próprios, o que desvirtuaria o sentido de ser do Estado Democrático de Direito.

 A transparência e a publicidade dos atos administrativos devem reinar em qualquer esfera de poder e todos os agentes públicos deveriam ser fiscalizados por um conselho externo, longe das máculas que a “localidade” pode trazer. Aqui vimos muito disso: “poderosos da AL sendo assegurados nos cargos pelos chefões do TJ”. Parece um jogo entre comadres, tudo muito fácil.

 O mesmo argumento utilizado alguns dias atrás em um artigo que escrevi sobre a AGECOPA e a locação de carros de luxo (“C4 Pauladas”) foi utilizado no julgamento dos magistrados, de que o ato administrativo, para ser válido, não basta estar nos limites da lei, tem que respeitar o princípio da moralidade administrativa, insculpido no art. 37, da CF.

 Então, por que não criaram ainda Conselhos Nacionais do Legislativo e do Executivo – CNL e CNE? Já sei, é porque quem elabora leis são os deputados e senadores e pra estes um “CONSELHÃO” não seria nada interessante (politicagem pura).

 

Faissal Calil é assessor jurídico e membro/colunista do grupo/blog www.politicajovem.com.br

Comentários
Luduarty - 03/03/2010 16:42
Concordo com o Faissal. Os politicos podem até discordarem, mas se a massa , o povo, ou seja, os eleitores desses políticos quiserem, esse conselho deverá ser criado sim, e pelos exemplos que já temos no judiciário, já está mais do que provado que o mesmo será muito útil, em primeiro plano acabará com as inúteis CPIs, ficando a cargo do Conselho julgar os coloridos, os arrudetes, os mensaletes; sem falar nas metas e planejamentos que fariam para acelerar a aplicação do errário público, evitando o desvio de nosso dinheiro para as meias, jatinhos e ilhas pelos ratões ávidos pelo poder e glória, e até dos que tentam fazer cortezia com o chapéu alheio, como vimos aqui em nosso estado, cenário horrendo de injustiça, que tira da boca dos pobres coitados dos servidores que ganham um salarinho podre, e vivem endividados, para encher a pança dos mais afortunados.
Francisval Gomes - 28/02/2010 18:14
Concordo com a opinião do Faissal Kalil. E nesses termos; é de suma importancia o CNJ atraves de ações emanadas com o STF, alem de parcialidade de Emenda Constitucional, é imprescindível e se faz necessaria mudanças de parâmetros constitucionais de razões mais concisas, coerentes e realistas com as situações atuais com que deparamos e vivemos o nosso dia-a-dia. "Não precisamos achar que se mexer na Constituição 'irá criar uma pedra nos Direitos Humanos'! Mas que em verdade, está mesmo na hora de se fazer "mudanças na Constituição !!
Pedro Ivo Silva Santos - 27/02/2010 22:18
Ainda que não criem o conselho do legislativo, a tendência é a da fiscalização ser mais severa de maneira indireta ao menos. Nessa linha de raciocínio se pode afirmar que os membros do Poder Judiciário serão mais criteriosos nos julgamentos de demandas propostas em face dos membros do Poder Legislativo. Consequentemente, os membros do Poder Legislativo também serão mais criteriosos. Aqueles para não se oporem ao CNJ, estes para não se oporem ao Estado-Juiz e alguns para não contradizerem os seus valores íntegros e intrínsecos de moralidade. Assim, espera-se pelo ciclo virtuoso de moralidade!
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