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O BRASIL E AS COTAS PARA NEGROS NAS UNIVERSIDADES: A teoria negreira do DEM saiu do armário

07/03/2010 - 11:34:00

A TEORIA NEGREIRA DO DEM SAIU DO ARMÁRIO
Por  Elio Gaspari

 
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) é uma espécie de líder parlamentar da oposição às cotas para estimular a entrada de negros nas universidades públicas. O principal argumento contra essa iniciativa contesta sua legalidade, e o caso está no Supremo Tribunal Federal, onde realizaram-se audiências públicas destinadas a enriquecer o debate.
Na quarta-feira o senador Demóstenes foi ao STF, argumentou contra as cotas e disse o seguinte:
"[Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. Gilberto Freyre, que hoje é renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual".
O senador precisa definir o que vem a ser "forma muito mais consensual" numa relação sexual entre um homem e uma mulher que, pela lei, podia ser açoitada, vendida e até mesmo separada dos filhos.
Gilberto Freyre escreveu o seguinte:
"Não há escravidão sem depravação sexual. É da essência mesma do regime".
"O que a negra da senzala fez foi facilitar a depravação com a sua docilidade de escrava: abrindo as pernas ao primeiro desejo do sinhô-moço. Desejo, não: ordem."
"Não eram as negras que iam esfregar-se pelas pernas dos adolescentes louros: estes é que no sul dos Estados Unidos, como nos engenhos de cana do Brasil, os filhos dos senhores, criavam-se desde pequenos para garanhões. (...) Imagine-se um país com os meninos armados de faca de ponta! Pois foi assim o Brasil do tempo da escravidão."
Demóstenes Torres disse mais:
"Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (...) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da economia africana".
Nós, quem, cara-pálida? Ao longo de três séculos, algo entre 9 milhões e 12 milhões de africanos foram tirados de suas terras e trazidos para a América. O tráfico negreiro foi um empreendimento das metrópoles europeias e de suas colônias americanas. Se a instituição fosse africana, os filhos brasileiros dos escravos seriam trabalhadores livres.
No início do século 20 os escravos não eram o principal "item de exportação da economia africana". Àquela altura o tráfico tornara-se economicamente irrelevante. Ademais, não existia "economia africana", pois o continente fora partilhado pelas potências europeias. Demóstenes Torres estudou história com o professor de contabilidade de seu ex-correligionário José Roberto Arruda.
O senador exibiu um pedaço do nível intelectual mobilizado no combate às cotas.

Comentários
lobo do ártico - 08/03/2010 18:26
É camarada, ainda não há contas para empresas ou cargos publicos, ai a coisa ia ser diferente. Eu nunca me fiz de coitado, se idiotas como esse do comentário ai acha assim, eu não formo minhas opiniões lendo veja, folha, gazeta, jornal hoje, jornal do meio dia. É uma pena que o racismo ainda impera nesse país, nunca me auto inferiorizei por ser negro, ainda passei pra ufmt, depois de um tempo da escola, sem enem, nem nada. O problema é que o racismo é algo dificil, até mesmo essa coisa de "negão" como escreveram ai, já é ofensivo, perjorativo, falam isso pra mim, pensando no dote que tenho?, ainda mais quando alguém olha atravessado..não é explicável, é inaceitável.
Breno - 08/03/2010 10:57
sou contra essa cretinice de cotas, e idiota é vc lobo! negros nao sao piores nem melhores que brancos e indios para terem privilégios. o maior preconceito está dentro dos próprios negros, dou um exemplo: numa disputa de emprego, um negro vence 4 brancos, isso significa que o "negão" merece mais que todo mundo que é o top over the top do mercado de trabalho, pois ele desde embrião viveu preconceitos, estudou em escola ruim, foi humilhado, venceu sozinho na vida, etc e tal. ótimo.. parabens a ele. mas e se um dos brancos ganha? o que acontece? ganhou somente porque é branco, as qualidades ele nao as tem, e o negro, coitado, quem mandou nascer negro né? nao tem chance mesmo com a cor da pele dos outros. é sempre assim. deixem de se auto depreciar negros!, assumam e se vangfloriem de sua condição igual à dos demais, vcs não são piores nem melhores que ninguem, somos todos iguais. estudem e consigam vagas de forma democrática, vencendo os brancos na inteligência, e não no privilégio.
Roberto Ruas - 08/03/2010 10:12
Tambem sou contra esse negocio de cotas, sejam elas para negros, indios , albinos, mulheres , ou qualquer outra etnia ou raça. O que impede as pessoas , brancas ou negras de ascenderem socialmente é a desigualdade social e não a cor de sua pele . Eu sou por definição dessa bobagem um negro (embora seja mais branco que negro), neto legitimo de indios amazonenses , deficiente fisico e cheguei a Cuiabá com uma mala de roupas em 89 , hoje tenho boa situacão e nunca precisei de cota alguma de nada, então para que ela serve? O que este digno senador e outros estão tentando evitar , é criar sim no Brasil um divisão racial que pode nos levar a um abismo ainda maior.
lobo do ártico - 07/03/2010 20:55
Eu sou negro, sou a favor de cotas, quem é contra é idiota, igual a laia desse senador, que deveria dobrar a língua ao falar de um assunto que ele conhece apenas por rodas de boteco, está claro que esse nobre senador de nada conhece do assunto, sou obrigado a dizer que não conheço também. Acho que essa forma de "enriquecer" o debate só deixa mais inferiorizado e descepcionadas pessoas como eu. Mas devemo mesmo remar contra essa maré de preconceitos, as cotas são nossas, um ganho que vai nos compensar por mais de 300 anos de grilhões e correntes. Basta mudar o pensamento e dialogar, mas de forma honesta, não como esse "senhor" senador..deve ser fazendeiro e gostar de mão de obra barata..pra não falar gratuita.
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