O desembargador Orlando Perri (foto) concedeu à PÁGINA DO E a seguinte entrevista:
PAGINA DO E – Como o Sr. recebeu a informação, divulgada neste domingo pelo Diário de Cuiabá, de que o CNJ estaria recebendo denúncias para montar um processo administrativo específico contra o Sr.?
ORLANDO PERRI: Há evidente equívoco na afirmação de que o Conselho Nacional de Justiça estaria “recebendo denúncias (...) que serão incluídas no Processo Administrativo Disciplinar (PAD)”, a ser aberto contra a minha pessoa.
A notícia veiculada transmite a impressão de que o CNJ teria instalado um “disque-denúncia” voltado à apuração de quaisquer fatos relacionados à minha vida funcional, o que não corresponde à realidade.
O Conselho Nacional de Justiça atua sobre fatos certos e determinados, expostos por meio de representação formal e identificada.
PAGINA DO E – Em seu aclamado voto, que resultou na aposentadoria dos 10 magistrados, o conselheiro Ives Gandra pede ao corregedor Gilson Dipp que estude a possibilidade abrir procedimento contra o Sr., a partir de tudo o que foi dito sobre o Sr. pelos magistrados aposentados. Por que Ives Grande adotou esta postura? O que pode resultar de tudo isso?
ORLANDO PERRI: No lugar dele, eu teria agido da mesma forma, pois ao Conselho Nacional de Justiça cumpre apurar todas as denúncias que lhe são endereçadas, ainda que falsas. Algumas que me foram irrogadas chegam a ser hilárias, senão ridículas.
Responderei ao CNJ com a mesma tranqüilidade com que já respondi às demais, muitas das quais arquivadas. Confio que esta também seja arquivada, porque as imputações que me fizeram são de todo improcedentes, motivadas pela estratégia típica de quem não tem argumentos de defesa e procura, então, desqualificar o acusador.
PAGINA DO E - O Sr. estuda ingressar com algum procedimento judicial contra os magistrados aposentados?
ORLANDO PERRI: No momento certo tomarei as providências judiciais cabíveis. Posso afiançar que nenhuma, nenhuma agressão à minha honra, parta de quem partir, ficará sem resposta judicial no âmbito civil e criminal.
PAGINA DO E – Muitas das acusações que se levantam contra o Sr., nesses últimos dias, se baseiam na lista de pagamentos, divulgada pela juíza Juanita Duarte, que retrataria vantagens pagas durante a gestão do des. Paulo Lessa. Sabemos que o Sr. tentou junto ao des. Mariano um desmentido oficial do TJ quanto àquela listagem. Isso será esclarecido, agora, definitivamente, na gestão do des. José Silvério?
ORLANDO PERRI : Os valores veiculados na defesa da juíza não condizem com a realidade, o que, inclusive, causou sobressaltos nos magistrados nela listados, abrangendo uma grande parte da magistratura estadual. Com malícias, não se esclareceu que naqueles valores estão embutidas as verbas que ordinariamente os magistrados recebem, e que nada tem de extraordinárias, porque integrantes do salário que mensalmente se paga.
PAGINA DO E – Passada a aposentadoria dos 10 magistrados, que investigações e procedimentos existem no CNJ e no STJ pendentes com relação à magistratura de MT?
ORLANDO PERRI: Não posso precisar todos os procedimentos instaurados no CNJ e STJ relacionados à magistratura do Estado de Mato Grosso. Com relação à minha pessoa, reafirmo que a maioria das representações já foi arquivada.
PAGINA DO E - O Sr. está confiante de que a gestão do Des. José Silvério possa representar, efetivamente, um período de pacificação dentro de nosso TJ-MT?
ORLANDO PERRI: O perfil do Desembargador José Silvério Gomes é o de pacificador. Foi no propósito de pacificação que se confiou a ele a árdua tarefa de restabelecer a paz e harmonia no Tribunal de Justiça. Precisamos virar a página e reconstruir um novo Judiciário. Temos uma oportunidade ímpar. Basta disposição, vontade e determinação.
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