Corrupto federal e corrupto estadual - diferenças
Por Ademar Adams
Tenho pra mim que esse tratamento diferenciado entre o corrupto estadual e o corrupto federal contraria a nossa constituição.
Vejam só: O governador do Distrito Federal, José Arruda, foi flagrado cometendo atos de corrupção e foi denunciado, preso e vai ser cassado.
Já aqui em Mato Grosso um corrupto estadual, com mais de uma centena de processos, com quatro ou cinco condenações, continua solto e poderoso.
Não vão me dizer que as imagens do Arruda pegando grana ao vivo foi mais grave do que aquelas dias atrás, em todos os noticiários da Band, onde o Fábio Panunzio mostrou imagens de um cheque, com assinatura de um deputado e um conselheiro de contas, que foi pago a um defunto, que sacou na boca do caixa.
Por que não pediram a prisão dos corruptos estaduais?
Será por que depois das imagens do mensalão do DEM (o partido da ética, segundo Jaime Campos) na Grobo,o caso saiu em tudo quanto foi jornal, TV, site, etc., e aqui a história do defunto que recebeu mais de dois milhões, a fora a Página do Enock e o Prosa & Política da Adriana, todos os demais receberam um "cala boca" pago com dinheiro público?
Tem outros casos que podem ilustrar a diferença entre o ladrão federal e o ladrão estadual, como aquele onde a Ong Moral recebeu uma denúncia contra o superintendente do Incra, cuja suspeita de desvio era menos de 10 mil reais. Foi um escândalo!
A emissora de maior audiência no estado fez reportagem completa, até da hora do protocolo da representação. Um blogue, sem com cor nem honra, mandou a equipe me entrevistar. Até brinquei com os colegas, dizendo que queria falar sobre uma corrupção de mais de 100 milhões, não de um bobão que se locupletara com menos de dez paus.
A imprensa não come capim, já dizia o Miguel Grego, mas o descaramento aqui em Mato Grosso já está passando da conta.
E o caso do suplente de suplente do senador Jota Veríssimo que desviou aos seus veículos de comunicação 25 mil reais? Foi denunciado, esculhambado, julgado e condenado. Igual aos senadores e a deputada que receberam do erário além do limite legal, foram julgados num upa e terão de devolver uns trezentos contos.
Já no plano estadual, na Assembléia Legislativa, um bando de caititus há 15 anos se lambuza com as sobras que o "capo de tuti capo" joga no chão. E tem gente de todos os partidos. É o povo do Demo, é socialista, é petista, é petebosta, todos na vala comum da conivência, da covardia, de quatro patas, obrando na cara do povo.
No Tribunal de Contas a vergonheira é igual. Nunca acharam nada errado nas contas legislativas. Legislativo que julga também as contas do Conseglieri.
Mas ai do prefeitnho ou do vereador de Buriti do Brejo que compra um lápis sem licitação. Contas reprovadas e grana a devolver. Ou seja, o corrupto municipal, se for um bagrinho, tá no sal. Se for tubarão, é amigo dos home.
Não é uma pouca vergonha?
Ademar Adams é jornalista em Cuiabá
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