Em meio a este corre-corre de blogueiro, o grande choque desta sexta-feira foi, sem dúvida nenhuma, o estranho e ao mesmo tempo bárbaro assassinato do cartunista Glauco, lá na Grande Metrópole de onde fugi fazem algumas décadas. Conversando sobre o assunto, durante o almoço, eu e o companheiro Johnny Marcus nos quedamos quietos, agoniados: o que que dizer da falta que nos faz um artista como Glauco? Nem tive tempo de ler as noticias, fiquei vendo as coisas enviesadamente, enquanto corria daqui prali, buscando documentar novos lances desta tragedia que, aqui em Mato Grosso, se abate sobre o Poder Judiciario. A morte tão estúpida do Glauco é uma dor a mais. Do que vi, agora, rapidamente, consultando os sites, neste final de sexta-feira, gostei do que escreveu o ministro da Cultura, Juca Ferreira:
"Glauco encarnava uma soma de qualidades tão rara a ponto de parecer ficcional: o anarquismo explosivo que marcava os personagens -desenhados num cubismo aparentemente simples; a doçura no trato com as pessoas; e a condição de fundador de uma igreja do Santo Daime. Essa sua natureza se choca de maneira inexplicável com a morte violenta dele e do filho -pelo que transmito meu abraço de conforto à família e aos amigos.
Como apontam os colegas de diferentes gerações, Glauco renovou os quadrinhos ao dar novo peso à dimensão do comportamento numa época em que a temática política reinava quase absoluta.
Com isso, os personagens de Glauco se tornaram como que nossos conhecidos, com os quais tínhamos necessidade absoluta de conviver diariamente. Como se esquecer de Los Tres Amigos, Geraldão, Dona Marta e tantos outros - e, é claro, como se esquecer do próprio Glauco?
Juca Ferreira - Ministro de Estado da Cultura"
Tem razão o ministro: como viveremos sem o Glauco entre nós?
Enock Cavalcanti nasceu em 18 de maio de 1953, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, Estado do Rio de Janeiro. Filho de Manoel Paulo da Silva, vendedor autônomo e de Josefa Cavalcanti da Silva, a Dona... (continuar lendo)
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