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Empresário anuncia o fim do "Jornal do Brasil" em versão impressa

14/07/2010 - 10:37:00

O "Jornal do Brasil" publica hoje um comunicado aos leitores anunciando o fim de sua edição impressa, a partir do dia 1º de setembro. Seu conteúdo, a partir de então, ficará disponível apenas na internet, com preço de assinatura de R$ 9,90 por mês.

O fim do "JB" impresso abalou o comando da empresa. O presidente do jornal, Pedro Grossi Jr., discordou da decisão e não apareceu na Redação ontem, apesar de o empresário Nelson Tanure, arrendatário da marca JB, negar que o tenha demitido.
Daniel Marenco/Folhapress
Criado em 1891, o carioca "Jornal do Brasil" sofria com dívidas fiscais e trabalhistas; empresário acumula fracassos
Criado em 1891, o carioca "Jornal do Brasil" sofria com dívidas fiscais e trabalhistas; empresário acumula fracassos

O "Jornal do Brasil" vem de longa crise financeira, agravada por passivos fiscais e trabalhistas herdados dos antigos gestores, mas o comunicado de Tanure tenta desvincular a modificação da situação de crise. O texto diz que o jornal fez uma consulta eletrônica aos leitores no último mês e que eles apoiaram a mudança.

"O "JB" vai sair do papel. E entrar para a modernidade", diz o texto, encaminhado à Folha por Nelson Tanure. O comunicado diz que os leitores economizarão R$ 40 por mês ao trocarem a assinatura mensal do jornal impresso, de R$ 49,90, pela assinatura do portal.

CIRCULAÇÃO EM QUEDA

A Folha apurou que a migração vai provocar corte de pessoal. O "JB" tem 180 funcionários, 60 dos quais na Redação. A família Nascimento Britto, dona da marca e antiga proprietária do "JB", disse não ter informação sobre o projeto de Tanure.

O jornal tinha uma circulação diária de 76 mil exemplares quando passou para Tanure. Em 2003, iniciou um caminho de recuperação, chegando a 100 mil exemplares em 2007, para novamente entrar em rota de queda.

Em março deste ano, quando a circulação estava em 20.941 exemplares, Tanure contratou Pedro Grossi Jr. para administrar o jornal.

Já circulava a informação de que Tanure iria acabar com o jornal impresso. No último dia 28, Nelson Tanure confirmou a intenção a Pedro Grossi, que começou a articular um meio de manter o jornal impresso.

Estudou-se transferir o contrato para outra empresa, blindada contra as ações trabalhistas e fiscais remanescentes. O negócio foi desaconselhado porque a Justiça tem considerado que os novos donos são sucessores na dívida.

FORA DA MÍDIA

O fim do "JB" impresso será também o fim da experiência de Nelson Tanure como empresário de mídia. Ele disse à Folha que não quer mais atuar nesse setor e que vai se concentrar em telecomunicações.

Ele tem 5,15% da TIM Participações (subsidiária da Telecom Italia, que atua em telefonia celular, telefonia fixa local e de longa distância).

Tanure só acumulou fracassos em suas incursões na mídia. Em 2002, comprou os direitos de publicação da revista "Forbes", no Brasil. Um ano depois, a "Forbes" rompeu o contrato.

Em 2003, arrendou o jornal econômico "Gazeta Mercantil", que, como o JB, acumulava grande passivo. O jornal deixou de funcionar no ano passado, e a marca foi devolvida ao antigo dono.

Em 2007, Tanure lançou a JBTV, que durou seis meses. Ainda arrendou a Editora Peixes, que também voltou para os antigos donos. Ele diz que perdeu todo o investimento que fez no "JB".

DEPOIMENTO

"Jornal do Brasil" foi o sonho profissional de uma geração

FERNANDO GABEIRA
ESPECIAL PARA A FOLHA


O "Jornal do Brasil" foi o sonho profissional da nossa juventude desde os anos 1950 até o princípio dos anos 1960. Representou o sonho profissional de toda uma geração no início da década de 1960. Foi a mais radical reforma jornalística feita no país até aquela data.
O uso do espaço em branco na introdução de fotografias com a luz ambiente e excelentes reportagens eram alguns dos seus componentes.
O desenho do jornal, trabalhado por Amílcar de Castro e inspirado no pintor holandês Mondrian, representou durante muito tempo uma atração internacional, porque muitos jornalistas vieram do exterior para observar aquelas mudanças.
Na parte cultural, o "Jornal do Brasil" inovou lançando um suplemento literário voltado para o concretismo, mas que revelou alguns dos principais poetas e escritores do país.
Nos últimos anos, o "Jornal do Brasil" tornou-se um fantasma do que era, conservando a máxima de que um jornal leva mais de uma década para morrer.

O jornalista FERNANDO GABEIRA é deputado federal (PV-RJ) e trabalhou no "Jornal do Brasil".


Jornal obteve destaque na ditadura militar

DO RIO


Ao longo dos seus 119 anos de história, o "Jornal do Brasil" foi responsável por uma série de inovações na imprensa brasileira.
Teve papel de destaque na cobertura política, especialmente durante a ditadura militar.
Fundado em 1891, o "JB" chegou a ser conhecido como "o jornal das cozinheiras" nos anos 1930, quando passou a dar menos destaque para fatos políticos, artes e literatura.
A mudança trazia páginas iniciais de anúncio e fazia parte da estratégia para superar a crise do início daquela década.
No fim dos anos 1950, após investir em novos equipamentos, o jornal empreendeu uma reforma gráfica que se tornou referência, com a implantação da diagramação vertical e a valorização dos espaços brancos das páginas.
"O "JB" herdou algo que nasceu no "Diário Carioca': o noticiário objetivo, sem opinião, que procurava informar com clareza. Fico triste porque fiz parte do grupo de jornalistas que participou da renovação do jornal e que teve como principal figura Janio de Freitas", disse o poeta e colunista da Folha Ferreira Gullar.
Durante a ditadura, o "JB" se destacou na cobertura do AI-5, ato institucional que suspendeu garantias constitucionais. Como a Redação estava ocupada por censores, a saída foi publicar um boletim do tempo. Nele, afirmava-se: "Ar estava irrespirável".

 

 

Comentários
Paulo Padula - 04/10/2010 01:59 - Ip: 65.9.188.7
COMUNICADO A IMPRESA URGENTE 6 milhões de dólares em ajuda humanitária retidos ilegalmente no Brasil. ...Pergunte ao deputado estadual Vicente Candido, Partido dos Trabalhadores de São Paulo (PT), o que ocorreu com 20 contêineres repletos de roupas e brinquedos que estão apodrecendo no porto de Santos e certamente ele os olhara surpreso. Porem, não porque não sabe nada sobre o tema, senão porque é muito provável que ele saiba que grande parte da ajuda humanitária enviada pela organização sem fins lucrativos, Solidary dos Estados Unidos, foi extraviada por gente inescrupulosa e desonesta como ele. Tudo começou em 2008, durante uma reunião com o Sr. Paul Chehade em Milão, Itália. O Sr. Candido solicitou ao Presidente da Fundação Solidary, que enviasse doações para as pessoas pobres do Brasil, sob a promessa de que ele se encarregaria pessoalmente de que toda essa ajuda chegaria ao destino. O Instituto Adventista de São Paulo, uma organização crista, que se dedica a ajudar a mil famílias de parcos recursos, seria encarregada de distribuir essas doações. São passados já dois anos, e apesar dos incontáveis esforços legais e diplomáticos realizados pela Fundação Solidary dos USA, seus sócios, e o Instituto Adventista, os containers continuam retidos no porto de Santos esperando que o Parlamentar cumpra sua promessa de efetivar os tramites aduaneiros para que essa ajuda chegue às pessoas que realmente necessitam. A mercadoria esta avaliada em 6 milhões de dólares estadunidenses, e consiste em roupas, e brinquedos novos, suficientes para satisfazer as necessidades de aproximadamente 5.000 famílias por um ano. As mercadorias foram enviadas de Miami para a Fundação de Tecnologia Avançada - ATAPESP, localizada em São Paulo, (CNPJ 01.1867.129/0001-64), que é a Entidade que possui as autorizações legais necessárias para receber os containers e encaminha-los ao Instituto Adventista de Educação, localizado na estrada de Itapecerica da Serra, n.º 5859, São Paulo, Capitail, Brasil. Todo histórico descrito acima, esta devidamente documentado e possuem fotografias não somente dos containers na Florida USA antes de serem despachados, como também, das reuniões mantidas entre o Sr. Paul Chehade e o Sr. Vicente Candido. A Fundação Solidary enviou cartas explicando situação e solicitando ajuda ao Presidente do Brasil, Sr. Lula da Silva, ao Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Sr. Antônio Patriota, ao Consul brasileiro em Miami, Sr. Luís Felipe Mendonça Filho, ao Embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Sr. Clifford Sobel, ao Consul Geral dos Estados Unidos no Brasil, Sr. Thomas J. White e ao parlamentar em questão, Sr. Vicente Candido. Todavia, nenhuma das pessoas respondeu satisfatoriamente, nem se comprometeram a contribuir para solução dos problemas. O Instituto Adventista contratou o advogado Dr. Manoel Paixão dos Santos encarregando-o das questões legais do caso e para obter a liberação dos containers para que sejam entregues a seus destinatários legítimos. Apesar de todos os esforços realizados pela Fundação Solidary e Instituto Adventista desde a chegada dos containers ao Brasil, ninguém teve acesso aos mesmos para revisa-los e comprovar se tiveram seus lacres violados ou não. Porem pela atitude do deputado estadual Candido, que não respondeu a nossos pedidos de explicação, deduz-se que este senhor não quer que outras pessoas de apoio portuário ajudem na solução do problema, temendo alguma irregularidade que possam ter sido cometidas por ele ou seus prepostos. Para mais informações sobre este caso, por favor contatar no Brasil com o Sr. Fernando I. de Figueiredo, Diretor Administrativo da Association Internacionale de solidarite "SOLIDARY" - BRASIL (fifigueiredo@uol.com.br) ao telefone 85258882. Doação ao Instituto Adventista de Ensino: http://www.solidary.org/index.php?option=com_content&view=article&catid=48%3Ahumanitarian-work&id=371%3Abrazil-donation-to-instituto-adventista-de-ensino&Itemid=116 http://www.solidary.org/plugins/content/contentoptimizer/4e21fbf2e152b62dee89d91c23fed27f7e2bc21c_500x375_Q75.jpeg Pablo Padula Jornalista ppadula@hotmail.com
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