Dias piores virão
Coleta de lixo, que já era ruim, deverá ficar ainda pior até terça-feira, quando deverão chegar dezesseis novos caminhões
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Os problemas na coleta de lixo em Cuiabá pioraram desde ontem e a tendência é que o caos se instale nos próximos dias. Além do adiamento do resultado da licitação para a escolha da nova empresa que fará a coleta, a quinta-feira foi marcada por nova interrupção na limpeza urbana.
Por falta de diesel e por problemas de mecânica, ontem apenas 12 dos 23 caminhões da Qualix que atuam em Cuiabá e Várzea Grande saíram para fazer a coleta.
Prevendo o agravamento do problema, a prefeitura de Cuiabá está divulgando um comunicando preparando a população para a precariedade nos serviços até ao menos segunda-feira.
O resultado do acúmulo dos resíduos e a coleta irregular há vários meses são calçadas e lixeiras abarrotadas de lixo, que também é jogado indiscriminadamente em terrenos baldios e áreas de preservação. Por dia, são produzidas em média 470 toneladas de resíduos pela população cuiabana.
Em praticamente cada canto da cidade há sujeira acumulada. E não são somente os moradores dos bairros mais afastados que enfrentam o problema. O canteiro central da avenida Coronel Escolástico, no centro da capital, amanheceu o dia de ontem tomado por sacolas cheias.
Em situação parecida estava a Diogo Domingos Ferreira, desde a Coronel Peixoto, no Centro, até o Bairro Bandeirantes. Em frente à escola Nilo Povoas e nas proximidades da Secretaria Municipal de Educação (SME) havia grande quantidade de resíduos.
“Tem pelo menos uma semana que não recolhem o lixo, já não temos mais onde colocar. Isso é uma vergonha para uma cidade que vai ser sede da Copa do Mundo”, disse o atendente de farmácia, Júlio Siqueira.
Em outro lado da capital, na Cohab Nova, a moradora Enedina de Araújo pagou R$ 5 para que um rapaz jogasse o lixo fora. “Estava um ambiente muito desagradável. Só de 100 litros eram três sacolas que estavam na calçada”, comentou. No bairro, a praça virou depósito de lixo.
Vizinha de Enedina, a dona-de-casa Denise Isabel da Silva também pensa em pagar para recolherem o lixo de sua residência. “Estou com algumas sacolas no quintal e não coloquei na rua porque não estão pegando”, disse. “O problema é que fica um mau cheiro e se não passarem hoje acho que vou acabar pagando para retirarem”.
Em vários pontos de uma das principais avenidas do município, a Miguel Sutil, o problema persistia. O mesmo acontecia em bairros como Cidade Alta e no Grande CPA.
Ontem, após a revogação do edital para contratação, por um ano, de uma nova empresa, a Prefeitura divulgou um comunicado em que reconhece que “nos próximos cinco dias, os serviços de coleta de lixo ocorrerão de forma precária na capital”.
O Poder Executivo afirma, no entanto, que a deficiência é momentânea e será completamente solucionada até terça-feira, quando 16 novos caminhões contratados emergencialmente assumem a coleta dos resíduos sólidos.
“Com isso a prefeitura amplia em 50% sua capacidade de atender as demandas de nossa sociedade”, diz o comunicado. No informe, administração municipal solicita ainda a compreensão e o apoio da população para que faça a contenção e o armazenamento adequado do lixo doméstico.
O processo licitatório para a contratação de uma nova empresa foi suspenso por tempo indeterminado após duas das oito empresas concorrentes apresentarem um pedido de impugnação do certame. Não há previsão de quando o processo será retomado.
FONTE DIARIO DE CUIABÁ
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