José Riva e a imprensa cuiabana
Por Ademar Adams
Se alguém pesquisar o que disseram os três jornais de Cuiabá num certo dia de abril de 2003, quando José Riva da presidência foi afastado da presidência da Assembléia a pedido do Ministério Público, vai até pensar que já evoluímos muito. Isso com relação ao que apareceu nos jornais desta quarta (28.07) após o TRE ter cassado o mandato do deputado malufista.
Em 2003 o Diário de Cuiabá e A Gazeta não deram uma linha sobre o assunto. A Folha do Estado colocou uma notinha perdida numa página, dizendo “Troca de comando na Assembléia, motivada pelo processo número tal”. Só.
Desta vez foi assim:
O Diário de Cuiabá foi o melhor. Deu como principal manchete “TRE cassa deputado Riva”. Na página quatro, três títulos a favor do cassado: “Parlamentar contesta decisão” O óbvio ululante! “Defesa assegura candidatura” com que poder? E “Silval crê em recurso favorável”.
Já A Gazeta de uma manchete de segunda categoria, preferindo destacar mais a nojeira do ortopedista tarado, com a gafe de estupro de homens. Na página oito a manchete deve ter sido negociada pelo Dorileo: “Riva diz que campanha continua”. Seguiram mais três títulos ditados pelo próprio Riva. Claro que não faltou o advogado estrela que deve custar uma nota, para ditar sabença.
A Folha do Estado, que dizem por aí que o proprietário de fato é o próprio Riva, escondeu uma chamadinha bagaceira na capa. Na pagina sete a correta manchete que deveria esta na capa: ”TRE cassa mandato de Riva”. Mas logo abaixo um Box com o chapéu “Continua no páreo” e a frase ditada pelo baixinho: “Apesar da cassação Riva não vai ficar inelegível” Sabem tudo!
Nem é preciso dizer que todos os jornais disseram a mesma coisa. Não ouviram ninguém do Tribunal Eleitoral, nem o procurador eleitoral. Só ouviram o cassado e seu advogado estrela.
O correto seria já terem ouvido também o vereador Galio de Santo Antônio e os representantes do MCCE, autor da denúncia que resultou na cassação.
Os sites, mesmo os que recebem o jabá da Assembléia, se anteciparam desde bem cedo, disseram 20 horas antes, tudo o que saiu nos jornais no outro dia. Mas depois não se aprofundaram em nada. Salvo a Página do Enock e o Prosa e Política da Adriana, que saíram de mesmice e adocicaram ainda mais, para a sociedade, uma notícia que foi uma das melhores do ano para quem quer ver a política tratada como coisa séria.
Não posso comparar as notícias da televisão, pois, não pude ver todos os canais. Dos que vi, o jornal da Band nacional, nada disse.
A Centro América deu a notícia de forma razoável, mesmo tendo eu recebido a informação que um secretário de imprensa do Riva estava lá dentro da TV, de certo para acertar a forma de dar a notícia. O bom foi que saiu também no Jornal Nacional. A TV do Zaran se redime em parte, pois, há muito tempo vem fugindo de dar as notícias sobre os processos do Riva com o destaque que deveria dar.
Eu me lembro que em 2003, quando do afastamento do Riva da Assembléia e do seu envolvimento com João Arcanjo, a Centro América teve uma atuação isenta e muito elogiada na época. O que aconteceu depois, ninguém sabe. O que se sabe é que o dinheiro público da Assembléia jorra farto para toda mídia.
Será que a sociedade não tem direito de saber quanto a Assembleia Legislativa de Mato Grosso paga todos os meses para cada veículo de comunicação?
Tanto pessoalmente, quanto através da Ong Moral, temos feitos diversos pedidos de informação e nunca tivemos resposta. O Ministério Público, conclamado a ajudar, se nega a fazê-lo. Agora propusemos uma ação na justiça para obrigar o legislativo abrir as contas. Vamos aguardar a decisão do Egrégio Tribunal.
Ademar Adams é jornalista em Mato Grosso
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