O agronegócio e os ruralistas estão vencendo a batalha contra os ambientalistas, em Mato Grosso. Só que os ambientalistas se mobilizam para virar o jogo, apostando que, se houver informação, o conjunto da sociedade haverá de ficar do lado deles. O confronto mais recente vem se dando em torno da aprovação do Zoneamento Agroeconomico e Ecológico que, depois de muito debate pelo Mato Grosso, ganhou um perfil ruralista, graças aos deputados estaduais que, no dia 27 de outubro, na calada da noite, aprovaram um 'substitutivo ruralista' que prioriza os interesses do agronegócios.
Sobre esta polemica, a PAGINA DO E apresenta aqui, em vídeo, o depoimento ponderado da professora Michèle Sato, do Instituto de Educação da UFMT. Estudiosa que mantém compromisso permanente com a organização social, a professora Michèle, ao mesmo tempo que lamenta a postura dos deputados - eles agem assim mais por ignorancia do que por maldade, concede ela - vibra com o fortalecimento do movimento ambientalista que as discussões em torno do Zoneamento tem propiciado.
É uma oportunidade para se refletir sobre a conjuntura atual e as perspectivas da luta ambientalista, em Mato Grosso e no Brasil. E ouvir a preleção da professora Michèle é sempre um estimulo para os cidadãos que acreditam na importancia da luta social.
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ENTENDA O CASO
Projeto aprovado por deputados estaduais prevê redução da reserva legal em Mato Grosso
A Assembleia de Mato Grosso aprovou um projeto que reduz áreas passíveis de preservação no Estado e diminui o percentual de recomposição de reserva legal.
Aprovado por 19 votos a um, o projeto substitui o zoneamento socioeconômico e ecológico que havia sido proposto pelo ex-governador Blairo Maggi (PR), após três anos de reuniões técnicas e audiências públicas. O zoneamento estipula uma série de indicações para o uso e a ocupação dos 90 milhões de hectares do Estado.
Em relação à proposta original, aumentam em 67% as áreas destinadas à intensificação das atividades agropecuárias: de 23 milhões de hectares para 39 milhões de hectares. As áreas destinadas à criação de unidades de conservação, que no texto anterior chegavam a 5,5 milhões de hectares, caíram 73%.
Outro artigo diz que, para fins de recomposição florestal, o percentual de reserva legal cai de 80% para 50% de cada propriedade rural.
O projeto receberá redação final e irá ao governador Silval Barbosa (PMDB) para sanção ou veto.
Fonte: Folha de SP
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