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Fonte: http://paginadoenock.com.br/

Para Lula ler e meditar:Desemprego como salvação é arma contra o cidadão

15/01/2009 - 13:35:00 | Comentários ( 0 )

Para o presidente Lula ler e meditar

Desemprego como salvação é arma contra o cidadão
Por Hélio Fernandes

A crise financeira que obrigatoriamente já está se transformando em crise econômica (quem duvidava?), provoca uma enxurrada de ideias, providências, alternativas, angústia, desespero e, na maioria das vezes, ausência total de bom senso.

Tudo isso acaba batendo no paredão do emprego e desaguando, quase sempre, na eliminação de direitos e mergulhando no desespero do desemprego. Quando bate o obstáculo de ir em frente, empresários defendem o retrocesso e podem até não gostar, mas começam a falar em demitir.

Como sabem que o desemprego não atinge apenas o trabalhador e que numa espécie de boomerangue serão também atingidos, começam a se entender numa decisão intermediária, que chamam aleatoriamente de redução de salários e da jornada de trabalho.

Não é solução, não é sensato, não é construtivo, mas consideram que o trabalhador pode aproveitar esse corte de "20 por cento da jornada de trabalhão para se reciclar".

Vão se reciclar para continuar sem trabalho? E como se dar ao luxo de tranquilizar os empresários com a intranquilidade de quem não ganhava o suficiente? E terá que viver, conviver e sobreviver com menos 20 por cento do que era indispensável e necessário.

O capitalismo cresceu com o aumento dos direitos dos trabalhadores. E isso foi uma conquista universal, aumentando sistematicamente. Bernard Shaw, antes de ser um dos homens mais ricos da Europa, e isso como teatrólogo, foi líder sindical.

Sua área de atuação era a dos mineiros. Os que estavam acima dele na escala sindical, reclamavam: "Você não conseguia reduzir salários, está sempre ao lado dos trabalhadores". E Shaw, humano, mas tendo que ser desumano por exigência dos que manobravam as finanças, respondia:

"Como reduzir salários de trabalhadores, que de hora em hora são levados para hospitais de onde não saem nunca mais?"

Era o capitalismo-selvagem, que foi se humanizando a partir de 1900, concedendo direitos que os próprios trabalhadores reivindicavam. No Brasil, muitos ainda acreditam que o ditador Getúlio Vargas era "o pai dos pobres", quando na verdade "era a mãe dos ricos".

E deu direitos aos trabalhadores, 30 ou 35 anos depois do resto do mundo ocidental. Toda a Europa avançou nessa liberação. Até Mussolini foi mais benéfico, implantando a Legislação do Trabalho, em 1922. A bela Constituição do México de 1918 foi altamente favorável a eles.

Assassinaram os dois generais que começaram a grande Revolução em 1911 (Pancho Vila-Emiliano Zapata, totalmente analfabetos, mas geniais) e daria às massas direitos que jamais tiveram. Eles perderam a vida, mas os trabalhadores ganharam uma força que nunca tiveram.

Na Alemanha de 1921, a Constituição de Weimar foi assombrosamente progressista num país destruído pela Primeira Guerra Mundial e que se preparava para a Segunda. Só durou 10 anos por causa de Hitler, o Stalin do outro lado.

Agora, depois da apropriação do patrimônio dos países e com o enriquecimento geral das multinacionais, com o que chamaram de GLOBALIZAÇÃO, veio a crise da imprudência, da displicência, da incoerência.

Os trabalhadores foram os grandes sacrificados com o desaparecimento da riqueza, assistiram a tudo. E pagaram a omissão de todos os governos do mundo com o aproveitamento de seus impostos. É o que chamam de CAPITALISMO-SOCIALISTA.

A parte CAPITALISTA foi acumulada com a expropriação. Paga pelos trabalhadores. A outra parte, dita SOCIALISTA, só prejudicou centenas de milhões de pessoas. Antes estavam muito melhor, tinham EMPREGO e SALÁRIO.

PS – O desemprego, total ou parcial (a "solução" dos empresários), é a véspera da guerra civil. Sem salários, a máquina CAPITALISTA, mesmo mascarada ou mistificada como SOCIALISTA, não anda.

PS 2 – Sem salários, o que vem a seguir é a destruição social. Individual e coletiva. Salário representa poder de compra, saúde, educação, alimentação, transporte, casa, tudo o que é indispensável.
Sem salário não existe o ciclo que se inicia no comércio e termina na indústria, arruinando todas etapas intermediárias.

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