EM QUE BURACO SE ESCONDE A OPOSIÇÃO?
Por Sebastião Carlos
Talvez nunca antes neste país, para repetir o jargão do presidente, o Brasil teve uma oposição tão encolhida, tão inexpressiva, tão acovardada. Em plena ditadura militar, existia uma oposição mais audaz, mais destemida e determinada que a atual. Lula nada de braçada. Os governadores, cometam os erros que cometerem, no máximo enfrentam uma marolazinha. Intimidada pela alardeada popularidade de Lula a oposição encolheu. Quando muito põe a cara para fora apenas em época de eleições.
A grande questão a ser considerada é que, em qualquer país, a oposição é mais que essencial ao processo de fortalecimento da Democracia. De tal modo que não se pode dizer que exista Democracia em um país se a oposição não atua com independência em defesa de seu ideário e haja vigorosamente na crítica aos erros e mazelas governamentais. Atualmente, quando se fala em fazer oposição, com as exceções de praxe, ocorre alguma coisa muito perto de um temor, parece existir um mal disfarçado medo, sempre sob a capa de algo apelidado de prudência. A oposição é tão essencial aos governos bem intencionados que em alguns casos é comum se manter um diálogo franco e direto. Conta-se que, em plena guerra, Winston Churchill, fez ver aos trabalhistas britânicos que era bom que eles continuassem na oposição “auxiliando o governo”.
A oposição hoje, por falta de estratégia, está encalacrada. O grande combate que poderia se dar no campo da moral pública, no combate à corrupção e à delinqüência política, está fraturado. O escândalo que agora envolve o único governador eleito pelo DEM, José Roberto Arruda, de Brasília, mas que atinge igualmente gente de outros partidos, inclusive do PSDB, quebra a espinha dorsal do que poderia ser um mote de campanha. No Rio Grande do Sul, o envolvimento com maracutaias de Yeda Crusius, o mensalão mineiro, em cujo processo está denunciado pelo Ministério Público o ex-presidente do partido, senador Eduardo Azeredo, o tucanato teve um governador e um senador cassados pelo Supremo Tribunal Federal (Cássio Cunha Lima e Expedito Júnior). Então, onde a oposição perde a olhos vistos argumentos básicos de campanha, qual o seu futuro? E tudo isto é agravado quando o nome mais forte para a presidência, o governador José Serra, disparado na frente em todas as pesquisas, praticamente paralisa o seu partido, jogando para março a definição da candidatura. E em Mato Grosso, que oposição temos?
A triste realidade é que a última oposição neste país foi feita por Brizola e pelo PT. Graças a isso Lula se tornou presidente. Estará morto o tempo dos grandes combates das idéias e dos princípios políticos?
Sebastião Carlos é advogado em Cuiabá, membro da Academia Mato-grossense de Letras