VerDrão
Por CLAUDINET A. COLTRI JÚNIOR
Como eu já disse em outra oportunidade neste mesmo espaço, caso a gente não mude o nosso comportamento com relação à manutenção da nossa cidade, a Copa para nós de nada vai adiantar. Mas, como dizia Gonzaguinha: "eu acredito (é) na rapaziada".
O sucesso de algumas regiões no Brasil está no fato de terem encontrado e decido por uma vocação. Existem regiões que são conhecidas por festejos folclóricos. Outras pela beleza colonial. Outras, ainda, pela beleza natural preservada. Por outro lado, existem aquelas que são pelo aspecto mais urbano, mais " inovador".
Indubitavelmente, as segundas nos parecem cidades mais desenvolvidas. Mas isso tem um preço: há uma dificuldade moral, ética e de relacionamento nesses locais. Vivem (ou padecem) da síndrome de Marconi Ferraço, onde, em nome da " modernidade", do progresso, passam como um "trator" por cima do bom senso, das pessoas.
Já, no caso das do primeiro grupo, há muitas que pararam no tempo. Vivem de um fato isolado, um fato passado, que, se destruído, acaba com a região. São as cidades que vivem (ou padecem) da Síndrome do Roque Santeiro (homem covarde que foi feito santo).
Ambos os grupos de localidades são áreas que enchem os olhos dos visitantes. Mas a pergunta que fica é: será que sua população é feliz? São localidades geridas para o povo que lá vive, ou para turistas?
Bem, o que ocorre é que estamos com a grande chance de decidir a nossa vocação rumo ao futuro, tanto pela importância geográfica do nosso estado em relação à América do Sul, como pelo cuidado com o natural (que também está ligado ao futuro da humanidade). A Copa, se bem trabalhada, é a nossa grande chance de investimento para o futuro e para a manutenção das nossas belezas naturais.
Quero poder andar pela cidade (após as obras, é claro) com liberdade e com o mínimo de engarrafamento possível. Quero vê-la mais limpa, sem tantas crateras pelas ruas. Quero voltar a ver o rio Cuiabá sem necessariamente estar em cima de uma ponte (é quase a única condição que temos para ver o nosso rio). Quero poder sair do bairro onde moro sem estresse prévio (só de pensar em cruzar a Miguel Sutil, em qualquer ponto dela, já desespera qualquer um). E quero ver a copa. Para isso, infelizmente, coisas deverão ser extintas.
Temos que parar com a conversa (incutida na cabeça das pessoas por Sinhozinhos Malta) que devemos viver dentro de um museu. A nossa cidade deve ter monumentos históricos preservados, sim, mas ela em si não deve ser um. Temos que nos abrir para o novo (salve Vanessa da Mata) sem aniquilar tudo o que é antigo (salve o rasqueado). Para isso, é preciso fazer o que tem que ser feito.
Gosto verdadeiramente muito do Verdão, mas não há como mantê-lo. Está longe do padrão da Copa. Não demoli-lo em nome da história é desnecessário, caro e imprudente (o que teremos para contar dele daqui a dez, vinte anos? Uma partida da seleção brasileira nos anos 80, 90? Um jogo ou outro de um grande clube nacional que por aqui passou? Demoli-lo vai doer, mas tem que ser assim.
Na verdade, não há lugar melhor para um estádio de futebol para a Copa do que aquele local. Temos bombeiros, policlínicas, rede hospitalar privada, posto policial, entre outros. Custos (altos) que seriam agregados aos investimentos com a construção de um novo estádio em um novo local. Devemos lembrar que até o estádio Wembley foi demolido para a construção de um novo.
A vida é assim, para que nasça o novo, às vezes há que se morrer. Que o nosso Verdão seja a semente, o grão da nossa nova cidade que pode nascer (se a gente quiser). Parafraseando Gilberto Gil, em Drão: (Ver)Drão, o amor da gente é como um grão, [...] tem que morrer para germinar.
CLAUDINET ANTÔNIO COLTRI JÚNIOR é palestrante, consultor organizacional, coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag.
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