Greve deflagrada por tempo indeterminado
Cerca de 23 mil alunos da rede municipal de ensino devem ficar sem aula por conta do pleito de trabalhadores que querem PCCS e aumento do piso
O ano letivo na rede de ensino de Várzea Grande começou com crise entre os trabalhadores da Educação e a prefeitura. Desde ontem, a categoria cruzou os braços por tempo indeterminado pela implantação do Plano de Cargo, Carreira e Salários (PCCS) e recomposição salarial de 18%. A greve compromete os estudos de 23 mil alunos.
Quinta pela manhã, cerca de 300 dos 1.600 trabalhadores, entre técnicos e professores, realizaram uma passeata pela avenida Couto Magalhães, centro da cidade. Eles cobravam diálogo, respeito e uma proposta concreta por parte da administração municipal quanto às reivindicações.
“Desde o início da administração do prefeito Murilo não temos recomposição”, afirmou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público subsede Várzea Grande, Maria Aparecida Arruda Cortez. A greve foi decidida em assembleia geral realizada no último dia 5.
Conforme Cida, como é conhecida, estudos realizados pelo sindicato demonstram a viabilidade financeira da Secretaria de Educação do Município para o atendimento da recomposição para todos os funcionários, professores efetivos e contratados. Atualmente, o piso pago na cidade é de R$ 656. “O pior piso pago em Mato Grosso”, frisou Aparecida Cortez.
O Sintep também denuncia a administração municipal por fazer contratos irregulares. Segundo Aparecida Cortez, um levantamento feito na folha de julho do ano passado revelou a contratação de 302 pessoas, que estariam trabalhando para creches particulares, centro equestre ou igrejas. Para o pagamento deste pessoal são destinados R$ 251 mil por mês somente do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Do outro lado, a Secretaria de Educação e Cultura (SMEC) se posicionou em não negociar enquanto haver greve. Em nota divulgada no último dia 8 o órgão alega que o documento apresentado pelo Sintep não traz qualquer justificativa plausível para uma paralisação na rede pública de ensino.
Além disso, argumenta que a data-base da categoria é setembro, daí a decisão de não antecipar a negociação salarial, além de garantir que vem dialogando com o sindicato e representantes sempre que solicitado.
A nota informa ainda que foi votada e sancionada a Lei Municipal nº 3.420/2009, de 17 dezembro passado, que fixa o piso municipal do profissional do magistério público e que não existe por parte da administração municipal qualquer restrição em dar andamento aos estudos voltados à implantação definitiva do PCCS da categoria, tendo ofertado inclusive prazo máximo de seis meses para conclusão destes estudos.
com informações do Diário de Cuiabá
************************
A VERSÃO OFICIAL
Paralisação tem pequeno índice de adesão na Rede Municipal
Deflagrado na última quarta-feira (10/03) pelo Sintep/VG, movimento grevista atinge, apenas, 11% das unidades de ensino
A Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Várzea Grande (Smec/VG) informa que, nesta sexta-feira (12/03), mais três unidades de ensino retomaram suas atividades normais. Com as aulas suspensas na quarta e quinta-feira (10 e 11/03), em razão da adesão à paralisação sugerida pelo Sintep/VG no último dia 10, os professores das escolas “Benedita Bernardina Curvo” (Cohab Nova Ipê), “Alino Ferreira de Magalhães” (Alto da Boa Vista – Cristo Rei), “Mário Antunes” (Jd. União) e “Antônio Lino de Campos” (Carrapicho) voltaram ao trabalho. Agora, apenas 11% das escolas e centros municipais de educação infantil permanecem parados, ou seja, das 74 unidades, oito não estão em funcionamento.
Com o retorno desses estabelecimentos de ensino, o movimento grevista perde força. Segundo o último levantamento realizado pela equipe pedagógica da Smec/VG, permanecem com data indefinida para regresso às salas de aula, os educadores da EMEB “Governador Jayme Veríssimo de Campos” (Nova Várzea Grande), EMEB “Prof.ª Marilce Benedita de Arruda” (Centro) e CMEI “Celcita Pinheiro” (Manga).
As escolas “Aristides Pompeo de Campos” (Cidade de Deus), “Ruth Martins Santana” (Jd. Icaraí), “Maria Pedrosa de Miranda” (Pq. Sabiá) e Air Addor (Ouro Verde) realizam reuniões nas próximas horas para a manutenção ou não do estado de greve. A EMEB “Maria Barbosa Martins” (Bonsucesso), ainda aguarda manifestação do corpo docente para definição da data para realização da reunião. Apenas o quadro administrativo da escola está trabalhando normalmente.
O secretário municipal de Educação e Cultura, Isac Abrão Nassarden, lembra que os estabelecimentos que aderiram à paralisação, deverão repor as aulas em data e horário a serem definidos pela própria escola. O novo calendário deverá ser informado à Divisão de Legislação e Normas logo que for definido. “A carga horária deverá ser cumprida até o final do ano, conforme decisão da escola ou centro municipal de educação infantil”, informa.
FONTE PREFEITURA DE VG