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Fonte: http://paginadoenock.com.br/

WANDER ANTUNES: "Não sei em quem votar e faz tempo mesmo que não voto em ninguém, saio de casa, vou à minha sessão eleitoral e anulo meu voto, simples assim"

26/06/2010 - 09:39:00 | Comentários ( 3 )

Meu nem tão nulo voto nulo
Por Wander Antunes

Não sei em quem votar e faz tempo mesmo que não voto em ninguém, saio de casa, vou à minha sessão eleitoral e anulo meu voto, simples assim. Não me envergonho e nem acho que não votar seja o mesmo que não me importar com o destino da minha comunidade ou do meu país, como costumam dizer uns e outros – quase sempre gente que não costuma merecer nenhum tipo de voto, nem o de confiança, que no final das contas é o que o nosso voto é. Não votar é dizer: Não, muito obrigado, eu não voto em quem não honra o compromisso firmado com o eleitor. É dizer: Mas você não havia prometido exercer seu mandato anterior até o fim, siminino? Lembra? Não votar é dizer: Não é você que é viciado em campanha extemporânea? - parece pouco? Não é. É uma claríssima demonstração de que o cidadão não respeita a regra do jogo. E se não respeita as regras vai respeitar acordo firmado com eleitor? Não votar é protestar contra certas fichas não muito limpas e também é dizer não para aqueles que rasgam suas biografias ao se associarem aos donos dessas biografias porcalhonas. Não votar é dizer um montão de coisas, é exercer o direito de não compactuar, é dizer que você está guardando o voto para uma safra melhorzinha de candidatos – que virá, seu Deus quiser e o Diabo permitir, um dia virá.
Acho que nosso voto sempre foi muito melhor que os tipos que ajudou a eleger. E é digno demais para ser oferecido a esses senhores que prometem, quase sempre mentindo, fazer jus a ele. Não farão, está na cara, todo mundo sabe o quanto anda difícil encontrar candidato compromissado com o eleitor, com a coisa pública, com a história. O negócio deles parece ser mesmo com o poder e com o que vem junto com o poder.
O mínimo esperado é que os eleitos não quebrassem o contrato conosco. Que fizessem um trabalho minimamente bem feito, que não deixassem pobres morrerem esperando tratamento, que não permitissem que o dinheiro público fosse mal aplicado, que não comprassem por 10 o que é vendido por 5, que não deixassem seus municípios sem um lugar para depositar seu lixo, que não colocassem interesses pessoais acima do interesse público, que não tocassem obras importantes para a comunidade a toque de caixa, com o olho no ganho político que possam trazer – que obras assim resultam, quase sempre, desastrosas. Seria muito bom e aí muita gente que anula o voto deixaria de fazê-lo, no duro mesmo!, mas basta olhar o histórico dos postulantes para bater o maior desânimo. Sim, tem aí uma ou outra promessa de mudança, de novidade, sempre tem, a gente já viu esse filme antes. Ou não?
Minhas esperanças não são depositadas em candidatos ou partidos, estão bem longe deles. Minha esperança e vontade de apoiar está muito mais na ação de um MCCE da vida, de uma ong como a Moral. A novidade mesmo está aí, na ação desses ‘chatos profissionais’ - como a eles se referiu alguém que não esperávamos dissesse algo do gênero -, que não aceitam que a coisa siga do jeito que está. Meu voto é pra esse povo. É um voto cheio de confiança e esperança. Só não é o tipo de voto que se deposita numa urna, que essa gente, não está querendo assumir cargos, bichos raros que são.
O negócio, pensando bem, é que no final das contas não tenho anulado meu voto, só depositado ele num outro tipo de representação. Parece, e isso é muito bom, que os caminhos da democracia vão se espraiando para muito além da relação com partidos e seus candidatos e que virão daí as ações saneadoras que nem uns e nem outros estão dispostos a empreender. Uma nova forma de representação essa, para se observar, zelar e, de alguma maneira, apoiar.



Wander Antunes é quadrinista em Mato Grosso

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