Carol Dieckmann sem censura
Dona de uma beleza ímpar e de um raciocínio ligeiro, a atriz abre o verbo e dispara suas opiniões sobre sexo, traição e filhos sem medo do "fogo cruzado". Reflexo de uma das personalidades mais interessantes do show biz
Por Gustavo Autran / Fotos e beleza: Alê de Souza
DA ISTOÉ GENTE
Quando chegou para a entrevista e a sessão de fotos com Gente, na manhã da quinta-feira 1º, Carolina Dieckmann tirou os óculos escuros e desculpou-se por estar com a "cara salgada de tanto chorar". Depois de um segundo de constrangido silêncio, ela abriu um sorriso que iluminou todo o ambiente e foi logo esclarecendo o motivo das lágrimas. Estava voltando da despedida da professora preferida de Davi, seu filho mais velho, que estuda na Escola Britânica, em Botafogo. Explicação dada, acomodou-se na cadeira e começou a puxar conversa, enquanto o beauty stylist Alê de Souza trabalhava com o objetivo de deixá-la ainda mais bonita para o ensaio fotográfico que ilustra essas páginas. Carolina é assim. Mesmo com a agenda atribulada, arruma tempo para participar ativamente da educação dos dois filhos: o primogênito, Davi, de sua união com o ator Marcos Frota, e o caçula, José, de seu casamento com o diretor Tiago Worcman. Como mãe, dá carinho e atenção mas estabelece limites. "Quando a gente conversa, sempre considero que eles têm condição de entender o que estou dizendo, não falo como se os dois fossem bobos", opina.
Apesar de acostumada a interpretar mocinhas nas novelas - como em Passione, na qual vive a romântica estudante de jornalismo Diana -, a Carolina da vida real está longe dessa quase inocência de suas personagens. Ao contrário da maioria das mulheres, por exemplo, ela não tem uma visão romântica da gravidez e confessa que nas duas gestações ficou gorda, feia e mal-humorada. "Não sei lidar com o lado abstrato da gravidez. É estranha a sensação de não saber exatamente como seu filho está, de você não poder olhar no olho dele", conta. Muito bem casada, Carol também não faz rodeios ao defender que a traição pode salvar uma relação. "Ela pode ser perdoável, possível e até necessária, desde que não quebre a lealdade, não exponha o parceiro nem interfira no casamento", dispara.
Claro, esse seu jeito espontâneo, de quem não deve nada a ninguém, já provocou algumas saias-justas. A última foi no finalzinho de junho, quando postou no Twitter um comentário criticando a atitude da atriz Sthefany Brito, recém-separada do jogador Alexandre Pato, que desembarcou no Rio disfarçada com uma peruca preta. "Tudo bem que separar é muito triste, mas se esconder por que, meu deus? A menina não fez nada de errado!!!", dizia o comentário.
Uma das maiores estrelas da tevê, Carolina sonha em ser reconhecida como uma pessoa comum. Alguém que adora usar as camisas do marido, que passa boa parte do dia conversando com a empregada sobre os filhos e foge da rotina quando viaja com a família até o balneário de Búzios. Alguém de carne e osso mesmo, capaz de fazer uma ceninha de ciúmes só para apimentar o casamento e de provocar uma briguinha com o marido por causa do galã inglês Robert Pattinson, o vampiro que não bebe sangue humano na saga Crepúsculo. Naturalmente linda, Carol mostra na entrevista a seguir que não faz pose na hora de falar de si própria. "Não tenho muito filtro na hora de falar. Posso pensar se vou dar ou não uma entrevista, mas não fico medindo as palavras antes de responder às perguntas", admite. Para Carol, aliás, só vale fazer pose para sair bem nas fotos.
Atuar é mentir
"Tudo a respeito do personagem está dentro do texto. Por isso, acho que fazer laboratório é um pouco estranho, porque tira um pouco a assinatura do ator. A não ser que seja um papel muito técnico, como é o caso de um cirurgião, que precisa saber como segurar um bisturi. Atuar é mentir. Ponto. Não é saber operar. No caso de Diana, meu personagem em Passione, o convívio com a imprensa ajudou. O jornalista tem um olhar atento e incansável sobre as coisas. Ele tem a capacidade de conversar com uma pessoa e ao mesmo tempo ficar ligado com o que está em volta. Eu não sou capaz disso. Às vezes as pessoas dizem o meu nome e eu nem ouço. Tenho ouvido de loura."
Não quero ser estrela
"Sou uma pessoa absolutamente comum e, talvez, desinteressante. Não tenho temperamento de diva, odeio avião, odeio aeroporto e odeio hotel. Gosto é da minha casa. A pessoa com quem mais converso no meu dia a dia é a Ana, minha empregada. E, até hoje, não tenho tanta noção da minha fama, esse lance de ser famosa não é uma coisa que acorda comigo. Dia desses, estava passando pela garagem do prédio e notei que uns pedreiros não paravam de me olhar. Minha primeira reação foi não entender o motivo. Não foi pensar: 'ah, eu sou a Carolina Dieckmann'. A ficha só cai depois. Minha essência não é famosa, não é estrela, não é diva."
Vaca holandesa
"Odeio gravidez. Fico feia, mal-humorada e gorda. E não sei lidar com o lado abstrato da gravidez. É estranha a sensação de não saber exatamente como seu filho está, de você não poder olhar no olho dele. É uma coisa tão misteriosa, que te modifica tanto... Bate uma insegurança. As minhas duas foram terríveis, apesar de terem sido saudáveis e de os partos terem sido normais. Quando eu tive o Davi, engordei 15 quilos e, na vez do José, fiquei 30 quilos mais gorda. Então, foi grave! Em nenhum momento isso me fez mudar. Eu acordava e comia chocolate igual, não importava se estava com 2 ou 29 quilos a mais. Também demoro para recuperar a forma porque não posso imaginar a hipótese de faltar leite para um filho meu. No período da amamentação, em vez de escutar a ciência, segui os conselhos de minha avó. Comi canjica, leite condensado e tomei cerveja preta para ter bastante leite. Deu supercerto. Esperava o meu médico me chamar de paquiderme, mas dane-se! Quer saber? Não estou nem aí se a ciência não aprova. O que me importava era minha avó achar incrível eu parecer uma vaca holandesa."
Amor com limites
"Como mãe, sou muito prática e com uma paciência de tamanho normal. E meus filhos sabem o tamanho da minha paciência pelo tom da minha voz. Como não gosto de ficar horas ninando criança, eu ponho na cama e pronto. Quando o José, o caçula, está muito agitado, digo: 'José, se você não pegar no sono a mamãe vai chamar a Ana'. Claro que é muito mais gostoso ficar no colo, mas a criança tem que ter conforto em sua própria cama, para poupar a mãe. O limite é explicar: 'filho, por que você quer dormir no colo se a sua cama é tão gostosa?'. A mesma coisa vale na hora de comer. Em vez de dizer que não tenho paciência para dar comida, eu falo: 'olha como é gostoso comer sozinho'. Quando a gente conversa, sempre considero que eles têm condição de entender o que estou dizendo, não falo como se os dois fossem bobos. Amor sem limite não funciona tanto assim."
Emoção à flor da pele
"O Tiago diz que eu tenho cara de bicho, que tenho garras e que sei arranhar. Mas eu sou bem serena, calma. Mas eu também sou brava. E não faço pose quando uma coisa me incomoda. E me acho bem transparente. Sou exatamente isso que estou te falando, que eu estou pensando e o que eu estou demonstrando. Se eu fico brava, eu fico brava mesmo, nunca é pela metade."
Sem papas na língua
"Não tenho muito filtro na hora de falar. Posso pensar se vou dar ou não uma entrevista, mas não fico medindo as palavras antes de responder às perguntas. Não me acho impulsiva, mas me considero muito espontânea e às vezes me arrependo. Aquele comentário que postei no Twitter quando a Sthefany (Brito) chegou ao Brasil me trouxe um certo incômodo. É que eu não tive a intenção de fazer nenhum julgamento e fiquei arrependida, porque isso criou um disse-me-disse. Mas depois eu encontrei com o Kayky (Brito, irmão de Sthefany), me desculpei, e ele disse que a Sthefany nem tinha ligado".
Mal-entendido
"Ao chegar em um evento, um repórter perguntou se meu marido tinha ficado enciumado com a cena de amor da minha personagem com o de Marcello Antony, em Passione. Disse em tom de brincadeira que ele havia perguntado onde o Marcello havia colocado a mão. A pessoa sabia que eu estava brincando, mas mesmo assim publicou. E, aí sim, o Tiago ficou chateado e chamou minha atenção. Primeiro porque ele não havia ficado com ciúme, depois porque aquela informação poderia criar algum mal-entendido. Essa foi uma situação que eu podia ter ficado calada."
Rotina do bem
"Eu não escapo da rotina. Aliás, eu amo a rotina. E sou apaixonada pela minha vida, dormir e acordar do lado do meu marido, do mesmo jeito. Adoro! Claro que fazer uma coisa diferente acaba trazendo coisas novas também, é legal. Agora, provocar isso significa que o que você está vivendo não é muito bom, o que não é verdade."
Coca Zero x suco de tangerina
"Como o Tiago não gosta de me ver pedindo uma Coca- Cola Zero, me sinto a musa dele quando bebo um suco de tangerina, tão nutritivo e tão cheio de vitamina C. É pra ele que eu tomo suco praticamente. É isso: eu tomo suco para ele me ver tomando suco."
Marido gato
"Essa coisa de fingir que não está sentindo nada não é comigo. Minha cara denuncia. Eu me incomodo se olharem para o meu marido e, se sentir que ele está retribuindo, separo (risos)! Acho gostoso fazer uma ceninha, de passar para ele que eu me importo se ele está sendo paquerado. Mas o ciúme que realmente me incomoda vem do que eu imagino: se eu acho meu marido gato e inteligente, qualquer uma poderia achar o mesmo. E é bem chata essa sensação de achar que o Tiago pode despertar em outra mulher o que ele despertou em mim."
Vampiro no travesseiro
"Dia desses tive até uma discussãozinha rápida com o Tiago por causa do Robert (Pattinson, ator da saga Crepúsculo). O Tiago ficou um pouco chateado porque fui ao cinema com uma vizinha e não o chamei. Mas é muito mais legal ver o filme com a vizinha, entende? Com ela eu posso dar gritinho, ser um pouco fã. Foi uma briguinha completamente idiota (risos). É que eu gosto tanto do Robert que durmo com um travesseiro que tem a foto dele, comprado nos Estados Unidos."
Traição x lealdade
"A lealdade é o bem mais precioso que podemos dar para uma pessoa. Então, a traição pode ser perdoável, possível e até necessária, desde que não quebre a lealdade, não exponha o parceiro nem interfira no casamento. Se a traição for motivada apenas pela necessidade de expandir a imaginação, algo que seja desculpável por você mesmo e que não quebre o compromisso na relação, você só está resolvendo um problema seu. Não é justo atrapalhar uma relação por causa de um desejo latente, que não cabe no sexo do casal. A gente fala que em quatro paredes vale tudo, mas quem disse que a gente tem coragem de satisfazer todas as nossas vontades? Às vezes existem coisas que você não pode viver com seu parceiro mas, ao mesmo tempo, seu relacionamento é tão mais importante que não vale a pena jogar tudo fora por causa de uma escapada. Em determinados casos, a traição pode salvar o relacionamento da pessoa, que está arrumando uma maneira de continuar junto e ser feliz, sem culpa. Mas tem que ser leal. Não acho legal quando o cara tem uma amante de quem realmente gosta e com quem vive uma relação paralela."
Sexo sem cotas
"Sexo pode ser muito necessário em determinados momentos. Em um mês a mulher passa por diferentes estágios, vai depender dos seus hormônios. Mas o casamento tem uma vida própria. Tem vezes que a pessoa transa sem querer tanto, só para satisfazer o parceiro. Em outras, você quer muito. Às vezes a gente pensa que vai ser só aquele sexo antes de dormir, mas acaba rolando algo diferente. Então, tem que respeitar o imprevisível em matéria de sexo, senão fica tudo premeditado demais. Tem gente que acha que precisa fazer sexo cinco vezes por semana. Para mim, sexo não tem que ter cota. Um casal que transa cinco vezes na semana não é necessariamente feliz."
Fora dos padrões
"Quando estou muito arrumada, quase sempre fujo do padrão do meu marido. O Tiago gosta de me ver ao natural. Ele adora que eu saia com uma camisa dele. Se ele tiver dormindo com uma então, fica nas alturas. Como eu não sou uma mulher de me arrumar muito na minha vida real, sou muito moleque, não tenho por que ficar me arrumando toda e me sentindo "A" sex symbol. Não persigo esse negócio de ser mulher-fatal. Quando faço uma foto, todo mundo se ocupa em me transformar numa sex symbol. Mas isso não sou eu. E passo de superstar a horrorosa em cinco segundos."
Vegetariana de ocasião
"Fiz uma breve tentativa de ser vegetariana depois que li um guia de alimentação saudável chamado Magra & Poderosa, que fala das vantagens da dieta vegan. Fiquei horrorizada quando soube dos horrores sofridos pelos animais abatidos. Deixei de comer por um curto momento, sem contar para ninguém. Mas não consegui. Então eu não deixei de comer carne, mas diminuí o consumo. Bacon, por exemplo, eu cortei. Frango, só como orgânico. E peixe o Tiago traz de Búzios num cooler."
Barriguinha chapada
"Já fiz balé, ioga e ginástica olímpica a sério e detesto carregar peso. Depois que tive o José, comecei a fazer uma ginástica com bolas para deixar o abdômen levemente definido, mas não saio por aí com a barriga de fora. Faço as aulas na academia do meu prédio, com algumas vizinhas. O muque eu consegui de tanto carregar criança."
Cara limpa e lavada
"Rímel é a única maquiagem que curto usar. Mas de vez em quando uso um blush cremoso para tirar o abatimento. Batom eu não suporto. Na real, não gosto muito de maquiagem, parece que tem uma placa impedindo a pele de respirar. Prefiro esfregar uma bucha no rosto e ficar com aquela sensação de limpeza."
FONTE ISTOÉ GENTE