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Fonte: http://paginadoenock.com.br/

GRANDE, COMO ERA GRANDE - Música Popular Brasileira dá adeus a PAULO MOURA

13/07/2010 - 22:53:00 | Comentários ( 2 )

Despedida from Eduardo Escorel on Vimeo.

Despedida
por EDUARDO ESCOREL

 

Depois de ouvir um grupo de amigos tocarem durante uns 40 minutos, Paulo Moura pediu a clarineta, e insistiu quando ela demorou um pouco a ser entregue. Wagner Tiso chegou nesse momento, assumiu os teclados, e os dois tocaram “Doce de côco”, de Jacob do Bandolim.

Isso foi sábado passado, dia 10, no final da manhã, na clínica onde Paulo Moura fora internado no início da semana.

Mais cedo, no quarto, estava sereno, mas tinha dificuldade de conversar – sentado perto da janela, o pensamento parecia distante.

Levado até o terraço, fez questão de se despedir com música. No fim, beijou a clarineta e voltou para o quarto.

Para homenagear Paulo Moura, e em reconhecimento ao extraordinário esforço que deve ter feito nesse adeus, mostramos, no vídeo, um trecho do registro de sua última apresentação.

FONTE REVISTA PIAUI

 

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'Que isso rapaz?'. É o Paulo Moura, seu Pixinga'
Lenda do choro, jazz e erudito, músico nascido em Rio Preto morre aos 77 anos no Rio de Janeiro


Fabiano Alcântara
Agência BOM DIA

 
Se existe roda de choro no céu, certamente Paulo Moura está lá agora ao lado de Pixinguinha, K-Ximbinho, Chiquinha Gonzaga, Benedito Lacerda, Jacob do Bandolim e outros bambas. E talvez Alfredo da Rocha Vianna Júnior, padroeiro não-oficial dos músicos, São Pixinguinha, tenha olhado para o clarinete de acrílico de Paulo e dito: "Que isso rapaz?". Mas, ao ouvi-lo tocar, deve ter aberto um sorriso de boas-vindas.

Nascido em Rio Preto em 17 de fevereiro de 1933, Paulo morreu na madrugada desta terça-feira no Rio de Janeiro, aos 77 anos, onde vivia desde os 18. Foi para então capital com a família, também de músicos, e estudou na Escola Nacional de Música com Guerra Peixe, Moacir Santos, Paulo Silva e Maestro Cipó. Tornou-se o primeiro clarinetista do Teatro Nacional por dezessete anos e excursionou pelo mundo ao lado de Ary Barroso. Trabalhou ainda com Dolores Duran, Radamés Gnatalli, Severino Araújo, Baden Powell, Edson Machado, Sérgio Mendes, Elis Regina, Milton Nascimento, Raphael Rabello e Yamandu Costa, entre outros.

Entrevistei Paulo Moura, certa vez, no camarim do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio. Ele lembrou os tempos de dureza, quando músicos viviam em pensões e ganhavam praticamente o mesmo que operários. "O dinheiro era pouco, mas a música tinha mais paixão", comparou.

Paulo era atração do evento "Grandes Orquestras" e afirmou que as melhores formações que conheceu foram a do maestro Zaccharias, de Rio Preto, e a Tabajara. A segunda, de acordo com ele, trouxe agressividade para a música brasileira do final dos anos 1940, até então, mais suave e redonda. Minutos após encerrarmos nossa conversa no camarim, ele surgiu no palco com outra roupa e óculos escuros. Se transformava em cena.

Compositor, arranjador, saxofonista e clarinetista, sendo este último seu instrumento preferido, Paulo foi uma espécie de Miles Davis brasileiro. Apesar do instrumento diferente, Miles tocava trompete, dirigia carrões como o célebre jazzista, e às vezes era confundido como motorista da mulher, branca. Levava na boa a demonstração de racismo. Foi um dos poucos também a defender Wilson Simonal do linchamento público e acabou sofrendo boicotes por chamar o músico ao palco quanto isto se tornou quase uma ofensa.

Seu último álbum chama-se "AfroBossaNova", de julho do ano passado, e foi feito em parceria com o guitarrista baiano Armandinho. Com ele excursionou para Tunísia e Equador.

Paulo nunca deixava o palco sem entreter a plateia. Sabia que sempre queriam um pouco de circo. Um de seus números preferidos era "O Vôo do Besouro", de Nikolai Rimsky-Korsakov, em que sustentava a mesma nota por longos segundos e exibia a sua técnica de respiração circular. Com fôlego renovado de anjo, ele deve estar tocando esta agora.

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