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Fonte: http://paginadoenock.com.br/

SEBASTIÃO CARLOS: Dilma, Serra, Marina...ninguém está eleito por antecipação, ninguém tem vaga garantida antes do apito final. O jogo está começando.

30/07/2010 - 11:08:00 | Comentários ( 0 )

O INÍCIO DO JOGO E AS PESQUISAS
Por Sebastião Carlos

 

Já é cediço e até redundante dizer que “pesquisa é um retrato do momento”, e isto quer exatamente dizer que o que é hoje pode não ser amanhã. Mas é igualmente um fato notório que é a partir deste momento, ou seja, das próximas semanas, que o quadro eleitoral começa a caminhar para uma definição mais precisa quanto à tendência do eleitorado. Isto porque, as convenções e o início da campanha propriamente dita, com o horário eleitoral na TV e no rádio, os telejornais e mais ainda com os debates e uma distribuição mais equitativa do noticiário pelos meios de comunicação, principia a despertar interesse no grosso do eleitorado. É daqui para frente que esse “retrato” pontual, proporcionado pelas pesquisas, começa a ficar mais nítido. É daqui para frente que os candidatos e seus aliados passam a pisar sobre ovos, que eles serão mais exigidos pelo eleitor e pelo adversário, qualquer passo em falso podendo significar desastre, assim como uma tacada bem acertada poderá catapultar o candidato. Um exemplo notório a comprovar essas assertivas encontramos na campanha de 2002. Ciro Gomes que vinha sempre em 3º ou 4º, em trinta dias saltou de 18% para 27% no Ibope, e chegou a ameaçar a liderança de Lula, que já vinha de antes de a campanha começar. Depois, a história todos sabem, despencou pelos inúmeros deslizes, sobretudo verbais

         É no curso da campanha que fatos novos acontecem todos os dias, em que os candidatos são diretamente confrontados por setores da opinião pública, que suas propostas e programas são questionados, e na qual seus aliados, partidos e assessores igualmente ficam sob um visor maior, enfim, é o período em que o eleitor começa a ficar atento. Atitudes e ações que seriam naturais em outras épocas, passam a ter um peso maior; outras, que se imagina de grande importância, erodem com facilidade; uma palavra aqui outra acolá, dependendo das circunstâncias, ganha importância ou passa a nada significar. É assim, sempre foi. A verdade é que ninguém está eleito por antecipação, ninguém tem vaga garantida antes do apito final. O jogo agora é que está começando.

         Por isso, é interessante nos determos um pouco na primeira pesquisa confiável que saiu nesse período inicial. Realizada pela Data Folha / Globo entre os dias 20 a 23 de julho, entrevistou 10.905 eleitores, distribuídos por 379 municípios. A pesquisa mostra um empate técnico, depois da disparada de Dilma. Agora Serra tem 37% contra 36%. Mas, o que as pesquisas mostram de mais importante está na leitura de suas entrelinhas e detalhes. Esta primeira pesquisa desta nova etapa do processo eleitoral, mostra algumas curiosidades interessantes:

1 – a influência do presidente Lula para a transferência de votos é muito relativa. Com 77% de aprovação, nos três Estados mais populosos seu apoio para o candidato a governador só influencia no máximo a 1/3 do eleitorado. É o que acontece em SP (24%), RJ (31%) e MG (27%), embora o índice para a presidência no conjunto seja maior, em torno de 42%. De outra parte, os que declararam que não votarão de jeito nenhum em um candidato apoiado por Lula superam os que são favoráveis, é o caso, por exemplo, de SP em que 24% votariam no candidato do presidente, contra 39% que declararam que em hipótese alguma o farão. Neste aspecto há um dado peculiar, que vem de Minas Gerais. Hélio Costa, do PMDB, dispara na frente contra o candidato de Aécio, o atual governador Anastásia. O ex-ministro tem 26 pontos de frente, mas quando se perguntou quem era o candidato que Lula apoiava em Minas, 74% responderam que não sabiam. Outro exemplo ocorre em Alagoas. Lá Collor, que é apoiado por Lula, está na frente com 38%, o governador Téo Vilela, candidato a re-eleição está em terceiro com 21%. No entanto, José Serra conta com 41% das intenções de voto, contra 37% que votarão em Dilma.

2 – dos que avaliam o governo como ótimo ou bom (77%), apenas 43% declaram voto em Dilma, enquanto que 32% votam em Serra; dos que consideram o governo como regular (19%), 54% votarão em Serra; e dos que acham o governo ruim ou péssimo (4%) 58% darão o voto a Serra. Há ainda outras observações importantes para os estrategistas da campanha de Serra, como é o caso da preferência partidária. O PMDB, que é a principal base de apoio da coligação governista, foi considerado o de maior preferência dos pesquisados, com 7%. Pois bem, desses, 51% declaram que votarão em Serra.

         3 – os quadros de segmentação mostram dados interessantes: A preferência das mulheres é por Serra (38% a 30%) enquanto a dos homens é por Dilma (42% a 36%). No que diz respeito à faixa salarial: quem ganha de 10 a mais salários mínimos prefere Serra (37% a 35%) e que recebe até 2 salários mínimos se dividirá por igual entre Dilma e Serra (35% a 35%). No setor educacional quem tem curso superior votará em Dilma (36% a 33%) e os de menor escolarização em Serra (37% a 34%).

         4 – com relação à convicção do voto, Dilma leva uma boa vantagem. 78% declararam que estão totalmente convictos da vitória, enquanto 19% dizem que ainda podem mudar o voto. Dos que dizem que Serra é o seu candidato, 67% afirmaram que não mudarão o voto, enquanto 30% admitiram que podem sim mudar de candidato.

         Como disse, pesquisa é tão somente um desenho de um dado momento. Pode até influenciar o voto de muita gente desinformada, daqueles que sempre dizem que “não querem perder o voto”, mas fundamentalmente ainda não é a eleição. Ela serve para orientar os estrategistas, proporcionar-lhes um painel, uma visão mais ampla, mas ninguém nem pode deitar tranqüilo, nem tampouco se desesperar. A partida está apenas começando.

         E aqui em MT, como você, que agora me lê, avalia a capacidade do ex-governador Maggi de transferir voto para o seu candidato Silval? Refaço a pergunta: quem, ou o que, pode influenciar o seu voto para o governo do Estado? Seria interessante, faço aqui a sugestão, que as próximas pesquisas incluam esse quesito.

Sebastião Carlos, advogado, é membro da Academia Mato-grossense de Letras

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